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A conta da água
A agricultura responde por 72% de toda a água doce retirada no mundo. É o número da FAO, e ele resolve uma confusão comum: segurança hídrica e agricultura não são dois assuntos. São a mesma conta.
No Brazil Climate Solutions 2026, em São Paulo, a FAO colocou quatro seguranças na mesma mesa. Elas costumam ser discutidas em salas separadas, e é aí que a conta se perde.
A ligação entre as duas últimas é a que o produtor sente primeiro. Onde se disputa água, vira conflito, e isso não é hipótese no Brasil. Já aconteceu, com equipamento de irrigação no meio.
O rio Arrojado baixou com as retiradas para irrigação e moradores destruíram os equipamentos. Documentado pelo Mapa de Conflitos da Fiocruz e pelo Projeto Colabora.
No Brasil, isso já é medição, não previsão
Os três números abaixo saem da série histórica, de 1980 a 2015. Já aconteceram. O que a projeção acrescenta é calor, e o calor faz a lavoura pedir mais água justamente quando há menos.
Para quem planta, segurança hídrica não é tema de conferência. É saber se vai ter água na safra que vem, e a que custo.
Por que isto importa para quem planta
Chuva caindo e calor subindo empurram na mesma direção: a lavoura precisa de mais água justamente quando há menos. Bombear essa água com diesel amarra o custo por hectare ao preço do combustível. Bombear com sol, não.
Do outro lado da porteira, calor na colheita encurta a janela entre colher e vender, e a estrada de saída nem sempre está aberta. Resfriar, lavar e embalar dentro da fazenda tira a colheita dessa corrida.
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